domingo, 23 de fevereiro de 2020

O que as bebidas energéticas prometem e como realmente impactam a saúde

Aproveitar festas como o carnaval que se aproxima pedem muita energia, e há um produto na prateleira de mercado mais próxima que promete entregar isso com alguns goles: as bebidas energéticas.
Topo de três latas de energéticosSó que, nos últimos anos, a bebida, associada na publicidade aos esportes, a atividades saudáveis e à vitalidade, vem sendo estudada por seus possíveis impactos negativos justamente na saúde. Autoridades pelo mundo também estão atentas ao tema — como no Reino Unido, onde o governo abriu uma consulta pública em 2018 e ainda analisa a possibilidade de proibição da venda dos energéticos a pessoas menores que determinada idade, possivelmente 16 ou 18 anos.
Os defensores do banimento apontam para aquilo que vem sendo alvo de estudos e preocupações: os efeitos de dois dos principais componentes destas bebidas, o açúcar e a cafeína. Há grupos considerados especialmente vulneráveis, como os mais jovens, cujos organismos são mais suscetíveis a altas doses dessas substâncias e que não têm maiores impedimentos para comprar os energéticos.
"Todos temos a responsabilidade de proteger as crianças de produtos que afetam sua saúde e educação, e sabemos que bebidas repletas de cafeína e, muitas vezes, açúcar, estão se tornando um item comum na dieta delas", argumentou na época Steve Brine, subsecretário para Saúde Pública no Reino Unido.
Ao mesmo tempo, representantes da indústria reclamam que uma medida do tipo discrimina um único produto, entre muitos que também carregam esses ingredientes.
Em dezembro de 2018, uma avaliação técnica do Comitê de Ciência e Tecnologia do Parlamento britânico relatório concluiu não haver evidências científicas suficientes para sustentar um banimento.
"O consumo de bebidas energéticas tem correlação com pessoas jovens adotando comportamentos de risco, como beber álcool e fumar, mas não é possível determinar se há uma causalidade nisso", diz o relatório da comissão. "Do nosso ponto de vista, não há evidências suficientes sobre se os hábitos de consumo das crianças são significativamente diferentes para bebidas energéticas em comparação com outros produtos com cafeína, como chá e café."
No Brasil, segundo dados da consultoria Kantar, do volume de energéticos consumidos em 2019, 1% ficou na faixa dos 11 a 17 anos; 26% de 18 a 29 anos; 18% de 30 a 39 anos; 28% de 40 a 49 anos; e 28% na parcela de pessoas com mais de 50 anos.
Com o carnaval se aproximando no país, a reportagem consultou especialistas e levantou dados sobre os efeitos para a saúde dos energéticos — que de acordo com levantamento da consultoria Kantar, é o terceiro tipo de bebida que mais cresce em penetração (percentual de indivíduos que consomem o produto) no consumo fora do lar no Brasil, atrás da cerveja e água de coco.
Spoiler: com doses relativamente altas de açúcar e cafeína, é o consumo excessivo destas bebidas — como várias latas em uma noite ou latas contendo quantidades grandes de líquido — que mais preocupa, e isso para pessoas mais velhas também. A realidade de ingestão dos energéticos também acende o alerta: eles muitas vezes são combinados com o álcool, cenário que gera preocupações extras (entenda abaixo).
Confira também, no final da matéria, o posicionamento da associação que representa as marcas de bebidas energéticas no Brasil.

O papel de velhos conhecidos: açúcar e cafeína

Foto de uma lata de Red Bull e outra de Coca-Cola com suas medidas: 250 ml de Red Bull têm 80 mg de cafeína e 27 g de açúcar; 350 ml de Coca têm 35 mg de cafeína e 27 g de açúcar
Tecnicamente, a "energia" prometida por estas bebidas, como em qualquer alimento, viria das calorias — ou seja, dos chamados macronutrientes, como as gorduras, os açúcares e proteínas, que são como combustível para o nosso corpo. Portanto, nos energéticos, a principal fonte de energia é mesmo o açúcar, explicou à BBC News Brasil Ellen Cristini de Freitas, pós-doutora em ciências médicas e professora da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto na área de nutrição e educação física.
O açúcar normalmente está nestas bebidas em doses de 10 a 30 g por cerca de 250 ml, a depender da marca — a reportagem consultou os rótulos de várias delas comercializadas no Brasil, considerando as do tipo padrão, ou seja, excluindo as versões com redução de açúcar ou sugar free.
Em geral, um produto com mais de 15 gramas de açúcar por 100 gramas é considerado como de alto teor de açúcar.
Em 2015, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estabeleceu a recomendação de consumo diário de açúcar para uma dieta saudável a 5% do total de calorias ingeridas. O limite máximo é de 10%. Assim, considerando também a recomendação genérica de que uma pessoa adulta consuma aproximadamente 2 mil calorias por dia, o limite máximo de 10% corresponde a 50 g de açúcar diários; e o limite considerado ideal, de 5%, a 25 g. O açúcar que está presente naturalmente em frutas, verduras, legumes e leite fresco não deve ser considerados nestes números.
Os problemas para a saúde do excesso de açúcar são bem sabidos: danos aos dentes, sobrepeso e obesidade, problemas cardíacos, alguns tipos de câncer e diabetes.
Se o açúcar dá "energia", a cafeína é a responsável pelo "estímulo" trazido por estas bebidas, explica Ellen Cristini de Freitas. Há também a taurina (um aminoácido naturalmente presente no nosso corpo e em peixes e frutos do mar ingeridos) — mas em quantidades (nos energéticos) que, para Freitas, não são relevantes o suficiente para gerar os efeitos positivos ou negativos tipicamente associados a ela.
"Tanto a taurina quanto a cafeína são conhecidas como drogas psicoativas, ou seja, estimulantes diretos do sistema nervoso central — especialmente a cafeína. Nos 45 minutos iniciais, há um pico (da substância) na circulação, deixando o indivíduo mais alerta, atento, concentrado. Reduz-se o cansaço, a fadiga mental. Depois, o efeito da cafeína começa a cair e vem o efeito do açúcar", explica a pesquisadora.
Nos energéticos, há aproximadamente 80 a 90 mg de cafeína para cada 250 ml de bebida. O consumo recomendado de cafeína para adultos é de até 400 mg por dia. Já crianças com menos de 12 anos não devem consumir cafeína; e, dos 12 e 18 anos, o consumo não deve passar de 100 mg por dia, de acordo com a Academia Americana de Pediatria.
Assim, mais uma vez, é a dosagem ingerida que preocupa — principalmente por seus efeitos de curto prazo, como irritabilidade, aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca e piora no sono. Já o impacto da cafeína em problemas crônicos, como a hipertensão, ainda não têm tanta sustentação científica assim.
O cardiologista Roberto Kalil, professor da Faculdade de Medicina da USP e diretor do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, destaca que ainda é preciso entender melhor os desdobramentos da combinação entre taurina e cafeína, "combo" que alguns estudos já mostraram potencializar os efeitos da última.
"Sabemos que o excesso destes estimulantes promove a liberação de hormônios de excitação, como a adrenalina e noradrenalina, que favorecem o aumento da pressão arterial, da frequência cardíaca e promovem a vasoconstricção dos vasos", escreveu à BBC News Brasil Kalil, que também é presidente do Instituto do Coração (inCor/HCFMUSP).

"Assim, as principais complicações cardiovasculares decorrentes do uso em excesso dos energéticos são as arritmias (aumento desordenado da frequência cardíaca) e os picos hipertensivos. Em casos extremos, podem causar infarto agudo do miocárdio."

A mistura com o álcool

Se a cafeína nos energéticos tem o papel de colocar o pé no "acelerador", o álcool, que muitas vezes se junta na forma de vodca ou uísque, por exemplo, seria como colocar o pé no "freio" ao mesmo tempo.
Essa é a analogia escolhida por Erica Siu, coordenadora do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), para falar dos problemas de se misturar energético com álcool, combo frequente nas noites.
Ela explica que as drogas são classificadas em três grupos: as depressoras do sistema nervoso central (cujo principal órgão é o cérebro); as estimulantes; e as perturbadoras. As primeiras reduzem funções cognitivas como memória e concentração; as estimulantes, o contrário. Já as perturbadoras alteram a percepção dos sentidos e produzem alucinações.
"A cafeína é um estimulante e o álcool, um depressor. E é justamente esse contraponto que as pessoas tentam fazer: tomar um estimulante para contrapor os efeitos depressores do álcool, como o sono, para, por exemplo, durar mais na noite", aponta Siu, com formação em biomedicina e especialização em dependência química.
"Você pode até mascarar os efeitos depressores do álcool, o problema é que a mistura não corta os efeitos do álcool em si, mas sim a percepção da embriaguez. Tem vários estudos mostrando que a mistura leva a comportamentos de risco mais intensos, como beber maior quantidade de álcool e ter comportamento sexual de risco."
Ela destaca também que a mistura muitas vezes é feita para adocicar o gosto do álcool — não à toa, em uma pesquisa de mercado da Kantar, os consumidores apontaram o sabor dos energéticos como o principal motivador para seu consumo.
Além disso, tanto a cafeína presente nos energéticos quanto o álcool são diuréticos, ou seja, aumentam o fluxo urinário e, com isso, podem levar mais facilmente à desidratação. Por isso, Siu recomenda, primeiro, que não se faça a mistura álcool e energéticos; e, quando houver o consumo desses produtos, que seja acompanhado da hidratação e alimentação.
Kalil também alerta para os efeitos da combinação na saúde cardiovascular.
"A associação da cafeína com bebida alcoólica pode se tornar uma bomba relógio no sistema cardiovascular, mesmo nos mais jovens. Se a pessoa já tem doença cardiovascular, como arritmias cardíacas e doença das coronárias, o cuidado tem que ser redobrado", alerta.
"O álcool em excesso, por si só, já acelera o coração e faz subir a pressão arterial. Logo, com energético, os efeitos são potencializados. Sintomas como tremores e dor de cabeça também podem acontecer."

Como produto ultraprocessado, energéticos deveriam sofrer restrições, diz organização


Para além dos impactos fisiológicos, Paula Johns, diretora da organização ACT Promoção da Saúde — que nasceu motivada pela agenda antitabaco — alerta também para as ações publicitárias e de marketing desses produtos.
"Eles são propagandeados como bons para a saúde, associados a atividades esportivas... Mas os energéticos trazem mais danos do que benefícios. Eles estão absolutamente dentro da categoria de ultraprocessados", afirmou Johns à BBC News Brasil, referindo-se ao grupo de alimentos cujo consumo não é recomendado por ter altos níveis de sal, açúcar e gordura, além de uma lista de muitos ingredientes, boa parte deles artificiais.
"Sendo uma bebida açucarada, os energéticos devem estar submetidos às políticas que defendemos para os ultraprocessados: primeiro, serem sobretaxados; segundo, não deveria ser permitida sua publicidade; terceiro, deveriam vir com rótulos frontais informando sobre a quantidade de açúcar e outros componentes nocivos", defende.
Hoje, as latas de energéticos trazem em seu verso a recomendação de que "crianças, gestantes, nutrizes, idosos e portadores de enfermidades" devem "consultar o médico antes de consumir o produto". Além disso, há a advertência de que "não é recomendado o consumo com bebida alcoólica".
Mas as restrições pelo poder público mais explícitas talvez se limitem a regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que determinam as quantidades de cafeína e taurina nestas bebidas — respectivamente 35 mg por 100 ml; e 400 mg por 100 ml.

O que dizem os produtores de energéticos

Em documento enviado à BBC News Brasil, a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas (ABIR), que representa o segmento, afirmou que a "venda de bebidas energéticas ocorre em mais de 165 países, estando em conformidade com as melhores e mais aprimoradas regulações internacionais".
"A ABIR informa ainda que diversas pesquisas e literaturas nacionais e internacionais comprovam e atestam que as bebidas energéticas não são prejudiciais à saúde e/ou relacionadas a ocorrências de doenças, se consumidas com segurança".
"Além disso, importante frisar que a quantidade dos componentes presentes nessas bebidas não tem qualquer efeito maléfico à saúde, podendo, inclusive, serem encontrados em alimentos habitualmente consumidos pela população em geral."
A associação cita ainda pareceres da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e do Committee on Toxicity of Chemicals in Food, Consumer Products and the Environment (COT) afirmando que não há indicação de que as bebidas energéticas tenham qualquer efeito específico, positivo ou negativo, quando combinadas com bebidas alcoólicas.
A ABIR evoca ainda uma pesquisa do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, publicada em 2016 no periódico Jama Internal Medicine, que descartou os efeitos nocivos da cafeína para pacientes que sofrem de arritmia.
Mariana Alvim - @marianaalvim

sexta-feira, 8 de março de 2019

Paciente fica 'livre' de HIV após transplante de células-tronco

Um paciente europeu infectado por HIV deixou de apresentar sinais do vírus após um transplante de células-tronco. O caso, relatado na revista científica Nature, é apenas o segundo já registrado no mundo.
O paciente já não tem sinal do vírus há 18 meses e, inclusive, deixou de tomar medicamentos contra a infecção. Porém, os pesquisadores dizem que ainda é muito cedo para dizer que a pessoa está "curada" do HIV.
O motivo primário do tratamento não foi o vírus, mas um câncer. Por isso, médicos explicam que esse tratamento não é adequado para tratar a maioria das pessoas com HIV. Por outro lado, pode ajudar a ciência a encontrar um caminho para a cura.
O paciente é um homem que vive em Londres - seu nome não foi divulgado. Foi diagnosticado com HIV em 2003 e com linfoma de Hodgkin - um tipo de câncer - em 2012. Como parte do tratamento contra o câncer, fez quimioterapia e recebeu um transplante de células tronco de um doador que era resistente ao HIV. Assim, tanto o câncer quanto o HIV acabaram retroagindo.

Segundo caso registrado no mundo

Essa é a segunda vez que o HIV se torna indetectável após um tratamento desse tipo.
Dez anos atrás, Timothy Brown, de Berlim, recebeu um transplante de medula óssea de um doador que também era imune ao HIV. É considerado a primeira pessoa a "derrotar" o HIV e a Aids.
O tratamento com o transplante, combinado com radioterapia, tinha como objetivo combater uma leucemia.
"Ao conseguir que o HIV se torne indetectável em um segundo paciente, através de uma abordagem similar, nós demonstramos que o caso do paciente de Berlim não foi uma anomalia. Foi a abordagem de tratamento que eliminou o HIV nessas duas pessoas", afirmou Ravindra Gupta, processor da Universidade College London, na Inglaterra, que liderou o estudo.
Eduardo Olavarria, do Imperial College London, que também participou da pesquisa, disse que o sucesso do transplante de célula-tronco oferece esperança de que sejam desenvolvidas novas estratégias para combater o HIV.
Mas acrescentou: "O tratamento não é apropriado como um tratamento padrão contra o HIV, devido à toxicidade da quimioterapia, que, nesse caso, era necessária para tratar o linfoma".

Esperança de cura?

Por Michelle Roberts, editora de Saúde da BBC News
Apesar de a descoberta ser empolgante, não representa um novo tratamento para milhões de pessoas que vivem com HIV ao redor do mundo.
A terapia é agressiva e foi utilizada, principalmente, para tratar o câncer - não o HIV.
Já as terapias específicas contra o HIV são efetivas, ou seja, as pessoas que têm o vírus podem viver por muito tempo e de forma saudável.
Mas o motivo pelo qual esse caso é tão significativo é que pode ajudar especialistas a encontrar a cura do HIV. Entender como o corpo pode naturalmente resistir à infecção pelo HIV oferece uma esperança, mesmo que ainda haja uma longa estrada pela frente.

Como funciona?

O receptor mais usado pelo HIV-1 - a cepa do vírus mais comum no mundo - para entrar nas células do corpo é o CCR5.
Mas um pequeno número de pessoas resistentes ao HIV têm duas cópias mutadas do receptor CCR5. Isso significa que o vírus não pode penetrar nas células do corpo que costumam ser infectadas.
O paciente de Londres recebeu células-tronco de um doador que tem essa mutação genética específica, o que fez com o próprio receptor também ficasse resistente ao HIV. Mesmo assim, um reservatório de células que carregam HIV podem continuar no corpo, por muitos anos.
Os pesquisadores do Reino Unido afirmam que pode ser possível usar terapia genética em pessoas com HIV, com foco no CCR5, agora que se sabe que a recuperação do paciente de Berlim não foi um caso isolado.
O médico Andrew Freedman, da Universidade de Cardiff, disse que se trata de um caso "interessante e potencialmente significativo". "Embora esse tipo de tratamento claramente não seja viável para tratar os milhões de pessoas ao redor do mundo que vivem com o HIV, casos como esses podem ajudar no desenvolvimento de uma cura definitiva para o HIV".
Enquanto isso, o foco deve ser em fazer um diagnóstico rápido da infecção por HIV e iniciar o tratamento anti-retroviral, afirma Freedman. Isso pode evitar que o vírus seja transmitido para outras pessoas, além de permitir que quem esteja infectado tenha uma expectativa de vida próxima do normal.

FONTE: https://www.bbc.com/portuguese/geral-47462344
05/03/2019
ACESSO: 09/03/2019

sexta-feira, 30 de março de 2018

MUTAÇÃO GENÉTICA, O FATOR DESCONHECIDO QUE PODE SER A CHAVE PARA ENTENDER A MORTE SÚBITA DE BEBÊS



Cientistas dos Estados Unidos e do Reino Unido encontraram uma possível relação entre a morte súbita de bebês e uma mutação genética rara que afeta os músculos respiratórios.

O fenômeno, também conhecido como "morte do berço", ocorre quando um recém-nascido aparentemente saudável morre sem explicação. Em geral, esses casos acontecem durante o sono, e os médicos ainda não encontraram uma causa científica que explique o óbito.

Em um novo estudo publicado na revista científica The Lancet, os cientistas demonstram uma relação genética que pode ajudar a esclarecer essa questão.

Segundo eles, a descoberta pode mudar o rumo das pesquisas que buscam estratégias para evitar esse tipo de morte - que até agora tinham se concentrado apenas em estudos sobre as células do coração e do cérebro que controlam a respiração.

"Nosso estudo é o primeiro que vincula a morte súbita dos bebês a uma fraqueza dos músculos respiratórios que seria causada por questões genéticas", afirmou Michael Hanna, neurologista do Hospital Nacional de Neurologia e Neurocirurgia em Londres e autor do estudo.

Hanna acredita que ainda é cedo para conclusões, mas é preciso continuar a pesquisa nessa direção para confirmar e entender mais detalhes sobre como seria essa relação.
A morte súbita de bebês em geral atinge recém-nascidos de dois a quatro meses de idade.

Músculos mais frágeis

A pesquisa liderada por Hanna se concentrou em uma mutação rara do gene SCN4A, responsável por codificar um receptor superficial importante das células. Receptores são proteínas que permitem a interação de algumas substâncias com os mecanismos do metabolismo celular.

A expressão desse receptor nos músculos respiratórios é fraca nos primeiros meses de vida, mas aumenta ao longo dos dois primeiros anos.

Depois de analisar amostras de tecido de 278 bebês que morreram sem causa aparente (e que foram classificados como vítimas da síndrome da morte súbida) e compará-los com o material genético de 729 adultos saudáveis, os cientistas encontraram quatro casos dessa mutação nos bebês e nenhuma nos adultos.

Ainda que apenas quatro possam parecer pouco, neste caso o número é significativo: normalmente, encontram-se apenas cinco casos dessa mutação rara a cada 100 mil indivíduos.

A mutação está relacionada a uma série de problemas neuromusculares genéticos e a dificuldades respiratórias.

No caso dos bebês, os cientistas acreditam que a mutação também enfraquece os músculos respiratórios que, por conta disso, eles ficam mais vulneráveis a outros fatores externos, a uma posição inadequada durante o sono no berço, ao fumo ou qualquer outra doença menor.

Se um fator externo tiver impacto negativo na respiração do bebê que tem esta mutação, ele terá uma capacidade menor para se recuperar rapidamente, explicam os pesquisadores.

Ainda sem maiores conclusões, os autores do estudo reforçam a importância de seguir as recomendações médicas para reduzir o risco do bebê sofrer uma morte súbida.

Como prevenir a 'morte do berço'

- Colocar o bebê para dormir de barriga para cima;
- Colocá-lo no berço com os pés perto da borda;
- Utilizar um colchão firme, plano e impermeável - e em boas condições;
- Não fumar durante a gravidez, durante a amamentação, nem no mesmo cômodo que o bebê;
- Não compartilhar a cama com o bebê se tiver consumido drogas ou se estiver muito cansado(a);
- Nunca dormir com o bebê nos braços na poltrona ou no sofá;
- Não cobrir a cabeça da criança quando ela estiver dormindo (cobrir somente até a altura dos ombros).

ACESSO: 30/03/2018


domingo, 28 de janeiro de 2018

De obesidade a AVC, os problemas de saúde relacionados a noites mal dormidas

O corpo humano emprega há milhares de anos um conjunto fixo de programações fisiológicas necessárias para o seu bom funcionamento. Uma das programações básicas é o adormecer quando a noite cai e o acordar quando o sol se levanta, período em que o indivíduo é restaurado para um novo dia.
Noites mal dormidas, contudo, causam um choque nessa programação natural e podem provocar uma série de problemas de saúde, que vão da depressão ao aumento de risco de acidente vascular cerebral (AVC).
"O sono é uma função fundamental para a nossa fisiologia - seria o equivalente ao alimento para o nosso cérebro", explica Geraldo Lorenzi Filho, diretor do Laboratório do Sono do Incor (Instituto do Coração) do Hospital das Clínicas, em São Paulo, que estuda a correlação entre distúrbios do sono e doenças cardiovasculares.

"É o momento de descanso para o sistema vascular, da faxina dos neurônios. O sono é a restauração da atividade neural adequada, importante para fixação da memória. Sabemos que dormir é fundamental. Mas estamos nos esquecendo disso", alerta.


ACESSO: 28/01/2018


De acordo com Lorenzi Filho, noites mal dormidas e irregulares não apenas geram mais cansaço e sonolência no dia seguinte. "Quem dorme menos de cinco horas, em média, tem mais problemas de hipertensão, maior risco de infarto do miocárdio e de acidente vascular cerebral (AVC)", diz a fundação.

Dos fatos e efeitos descrito no texto podemos concluir:

(A) Um ataque cardíaco (também chamado de infarto do miocárdio) é quando parte do músculo cardíaco é danificado ou morre, porque não está recebendo oxigênio suficiente. 
(B) A maioria dos ataques cardíacos é causada por um bloqueio de veias, comumente causado pela aterosclerose: uma acumulação de depósitos de gordura (chamadas de placas) no interior da artéria e o endurecimento de suas paredes. 
(C) Ataques cardíacos também ocorrem muitas vezes porque se forma um coágulo de sangue dentro de uma artéria coronária devido a um acúmulo de hemácias, normalmente, bloqueando totalmente o fluxo sanguíneo. 
(D) Os fatores de risco para um ataque cardíaco são: cigarro, diabetes, HDL colesterol alto, histórico familiar, pressão arterial alta, arteriosclerose, sedentarismo, estresse, obesidade e sexo (gênero).
(E) O AVC é causado por uma obstrução em uma artéria que leva sangue venoso ao cérebro. Ao parar o fluxo de sangue em uma parte de seu cérebro, esta região é danificada.

RESPOSTA CORRETA:(A)

terça-feira, 19 de setembro de 2017

SEPSE

O que é sepse?

A sepse é uma resposta sistêmica do organismo a uma infecção, que pode ser causada por bactérias, vírus, fungos ou protozoários.
Normalmente, o sistema imunológico entra em ação para atacar a infecção e impedi-la de se espalhar. Mas, se ela consegue avançar pelo corpo, a defesa do organismo lança uma resposta inflamatória sistêmica na tentativa de combatê-la.
O ponto é que essa reação também representar um problema, uma vez que pode ter efeitos catastróficos no organismo.
Quando não diagnosticada e tratada rapidamente, ela pode comprometer o funcionamento de um ou vários órgãos do paciente e levar até a morte.
Quando o paciente atinge um quadro de choque séptico, a pressão sanguínea cai para níveis baixos e perigosos, reduzindo a oxigenação de órgãos, comprometendo seu funcionamento. O choque séptico, segundo o serviço de saúde britânico (NHS) pode ocorrer como uma complicação da sepse.
Qualquer processo infeccioso - seja uma pneumonia ou infecção urinária - pode evoluir para um quadro de sepse.

Quais são os sintomas?

A organização britânica UK Sepsis Trust, que se dedica a informar sobre a doença e a ajudar pacientes, lista seis sintomas que devem servir de alerta:
- Fala comprometida, arrastada, tontura
Tremores extremos ou dores musculares
Baixa produção de urina (passar um dia sem urinar)
Falta de ar grave
Sensação de que pode morrer
Pele manchada ou pálida
Confusão mental ou, em alguns casos, perda de consciência
Diarréia, enjôos ou vômito
Já os sintomas em crianças pequenas incluem:
Aparência manchada, azulada ou pálida
Muito letárgico ou difícil de acordar
Pele fria fora do normal
Respiração muito rápida
Mancha cutânea que não desaparece quando você a pressiona (com, por exemplo, um copo de vidro transparente para se observe a mancha durante a pressão)
Convulsão
"Os sintomas não são específicos, é difícil para a população em geral suspeitar que possa estar com sepse. Muita gente demora a procurar atendimento porque acha que os sintomas fazem parte do próprio quadro de infecção", afirma o intensivista Luciano Azevedo, presidente do ILAS.
"Assim, todas as pessoas que estão com uma infecção e apresentam pelo menos um dos sinais de alerta (citados acima) devem procurar imediatamente um serviço de emergência ou seu médico", recomenda.
O especialista lembra que idosos, crianças de até dois anos e pacientes com doença crônica não controlada ou deficiência do sistema imunológico apresentam um risco maior de desenvolver um quadro de sepse.

Por que a mortalidade é tão alta?

Estudo realizado em 2014 pelo ILAS mostra que são registrados por ano 419.047 casos de sepse em UTIs brasileiras, sendo que 55,7% (233.409) destas ocorrências resultam em óbito.
De acordo com Azevedo, a alta taxa de mortalidade pode ser explicada por uma série de fatores. Primeiramente, pela falta de conhecimento da população em relação à doença e seus sintomas, o que leva à procura de atendimento médico tardio.
Uma vez no hospital, os pacientes se deparam muitas vezes com o despreparo dos próprios profissionais de saúde em fazer o diagnóstico precoce da doença, considerado fundamental para o sucesso do tratamento.
"Na sepse, à medida que o comprometimento sistêmico avança, aumenta muito a chance de o paciente não sobreviver ao tratamento. Diagnóstico e tratamento precoces salvam vidas", explica trecho da publicação Sepse: um problema de saúde pública, elaborada pelo ILAS, em parceria com o Conselho Federal de Medicina, com o objetivo de orientar profissionais da saúde em relação à doença.
Além disso, existe a falta de infraestrutura da rede hospitalar - principalmente das emergências.
"Acredita-se que o número inadequado de profissionais para atendimento, ou seja, muito paciente para poucos médicos, e a dificuldade de acesso aos leitos das UTIs também colaboram para a elevada taxa de mortalidade", completa Azevedo.

Tratamento

O tratamento da sepse deve ser realizado idealmente em unidades de terapia intensiva, onde são administrados antibióticos para combater o foco da infecção.
A redução da carga bacteriana é fundamental para o controle da resposta inflamatória - condutas que visam à estabilização do paciente são consideradas prioritárias e devem ser tomadas imediatamente.
Em alguns casos, são necessárias ainda medidas de apoio, como a hemodiálise por causa da insuficiência renal ou a ventilação mecânica para controlar uma possível insuficiência respiratória.
"Esse tratamento de suporte substitui as funções do organismo que estão prejudicadas, enquanto o antibiótico faz efeito. E é fundamental que o paciente esteja sempre monitorado, em decorrência das complicações que pode vir a ter", explica Azevedo.

sábado, 17 de junho de 2017

Óleo de coco faz tão mal à saúde quanto gordura animal e manteiga, dizem cientistas


Apesar de ser amplamente promovido como uma opção mais saudável, o óleo de coco tem o mesmo efeito na saúde que gordura animal e manteiga, segundo um relatório recém-publicado pela Associação Cardíaca Americana.

Por ser composto de gordura saturada, o óleo de coco pode aumentar o chamado colesterol "ruim", explicam os pesquisadores.

De acordo com a associação americana, 82% da gordura no óleo de coco é saturada. O percentual é maior do que o da manteiga (63%), da gordura bovina (50%) e da banha de porco (39%).

Alguns especialistas ressaltam, porém, que a mistura de gorduras no óleo de coco ainda faz dele uma opção saudável, mas a Associação Cardíaca Americana afirma que não há evidências confiáveis disso.

"Como o óleo de coco aumenta o colesterol LDL (o tipo tido como "ruim"), causa de doenças cardiovasculares, e não tem efeitos favoráveis que compensem isso, advertimos contra seu consumo", diz o relatório americano.

O instituto afirma que as pessoas devem limitar a quantidade de gorduras saturadas que consomem, substituindo algumas por óleos vegetais não saturados - como azeite de oliva, óleo de girassol e suas variações.

Gordura saturada

As gorduras animais, como banha de porco, são geralmente vistas como nocivas, enquanto os óleos vegetais não saturados, como o azeite de oliva e de girassol, são apontados como opções mais saudáveis.

Essa teoria é baseada na quantidade de um determinado tipo de gordura - a saturada - que esses produtos contêm.

A gordura saturada é considerada ruim para a saúde, embora não haja consenso.
Adotar uma dieta rica nesse tipo de gordura pode aumentar o nível de colesterol "ruim" (LDL) no sangue, o que, por sua vez, pode entupir as artérias e aumentar o risco de doenças cardíacas e derrames.
Direito de imagemRENA-MARIE/GETTY IMAGES

Trocas saudáveis

No Reino Unido, o departamento de saúde pública da Inglaterra recomenda que as pessoas limitem o consumo de gordura saturada:

- homens não devem ingerir mais de 30g de gordura saturada por dia
- mulheres não devem ingerir mais de 20g de gordura saturada por dia

Os rótulos dos alimentos mostram a quantidade de gordura saturada contida nos produtos.

Os especialistas lembram, no entanto, que a gordura ainda é parte essencial de uma dieta equilibrada e saudável - ou seja, não precisa ser totalmente eliminada. A gordura é fonte de ácidos graxos essenciais e ajuda o corpo a absorver vitaminas, como A, D e E.
"Comer bem, para a saúde do seu coração, não significa apenas reduzir a gordura, mas diminuir tipos específicos de gordura e pensar em bons substitutos - gorduras não saturadas e cereais integrais, em vez de açúcar refinado e carboidratos", afirma Victoria Taylor, da Fundação Cardíaca Britânica.


"Qualquer mudança deve ser avaliada no contexto da dieta como um todo. A dieta mediterrânea tradicional traz benefícios para uma série de fatores de risco de doenças cardíacas, não apenas os níveis de colesterol", agrega Taylor.
"Recomendamos substituir as gorduras saturadas na dieta por gorduras não saturadas - usando óleos em vez de manteiga e escolhendo alimentos como abacate, peixes oleosos, nozes e sementes em vez de alimentos ricos em gorduras saturadas, como bolos, biscoitos, chocolate e carne gordurosa", completa.

Dicas para dieta com baixo teor de gordura
- Comida grelhada, cozida ou no vapor, em vez de frita e assada
- Corte a gordura visível e retire a pele da carne antes de cozinhar
- Recolha as gorduras e óleos de assados e guisados ​​
- Ao fazer um sanduíche, evite manteiga ou espalhe bem: talvez não seja necessário se o recheio não for ressecado.
Gordura boa x gordura ruim
- O colesterol é uma substância gordurosa que pode ser encontrada em alguns alimentos
- O LDL, Low Density Lipoprotein, que significa lipoproteínas de baixa densidade, é chamado de colesterol "ruim" porque pode se depositar nas paredes das artérias e formar placas rígidas que podem causar bloqueios, resultando em ataques cardíacos e derrames.
- O colesterol HDL, High Density Lipoproteins, quer dizer, por sua vez, lipoproteínas de alta densidade. É considerado "bom" porque leva o LDL para o fígado, onde é descartado. Ter uma proporção maior de colesterol "bom" do que "ruim" é mais saudável.

ACESSO: 17/06/2017