segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

HÁ MESMO EVIDÊNCIAS DE QUE O CÉREBRO FUNCIONA DE FORMA MAIS EFICIENTE A BAIXAS TEMPERATURAS?



NÃO, O CÉREBRO DÁ CONTA de pouco mais de 3% do peso do nosso corpo. Mas utiliza quase 25% da glicose que consumimos. Parte dessa glicose é aproveitada pelo cérebro para produzir ATP, molécula que armazena energia e é usada principalmente para viabilizar a comunicação neuronal. Contudo, a eficácia desse processo não é muito alta - e o cérebro acaba convertendo em calor cerca de 60% da energia proveniente do metabolismo aeróbio da glicose. Esse calor deve ser dissipado para que a temperatura possa ser mantida dentro dos limites fisiológicos. Isso não é tarefa fácil para o cérebro, já que, a diferença de outros órgãos, ele está completamente rodeado por uma estrutura óssea, o crânio, que se bem o protege de eventuais traumas, também dificulta sua refrigeração.

Sabemos que a temperatura do cérebro afeta a atividade cerebral e que, por sua vez, a atividade cerebral altera a temperatura do cérebro. Sabemos também que essa temperatura não é uniforme. Ela difere entre distintas áreas cerebrais e muda perante diferentes desafios comportamentais e condições patológicas.

Poderíamos afirmar, em linhas gerais, que esfriar o cérebro reduz sua atividade. Por exemplo, a liberação e a recaptação de neurotransmissores, além do consumo de oxigênio, diminuem quando se reduz a temperatura cerebral. Essa diminuição também altera algumas propriedades elétricas da membrana neural,estrutura associada à dinâmica dos impulsos neurais.

Baixar a temperatura do cérebro é uma estratégia terapêutica cada vez mais empregada para o tratamento da injúria cerebral traumática, da encefalopatia neonatal e do acidente vascular cerebral, bem como de outros quadros patológicos nos quais se faz necessário diminuir temporariamente a funcionalidade cerebral.

Martin Cammarota
Ciência Hoje|Novembro|2014





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